O Bestiário do Folclore Brasileiro por Câmara Cascudo: Ipupiara, Iara e Boto para Chamado e Rastro de Cthulhu
O folclore brasileiro é repleto de criaturas sobrenaturais. Fruto da mistura das culturas indígena, portuguesa e africana, tem em seu bestiário seres tão misteriosos e assombrosos quanto os encontrados em mitologias europeias e orientais. Para fazer jus a estas entidades, faremos a adaptação de alguns deles para Chamado e Rastro de Cthulhu, em um trabalho inspirado nos escritos do folclorista Luis da Câmara Cascudo.
Luis da Câmara Cascudo é um dos maiores antropólogos brasileiros e autor de dezenas de obras fundamentais para resgatar toda a tradição oral de indígenas, negros e brancos desde a chegada dos Portugueses à Terra de Santa Cruz, em 1500. Na década de 1920, Câmara Cascudo inicia de forma mais aplicada seus estudos sobre o folclore nacional. Como cursa Direito na Universidade de Natal, Rio Grande do Norte, durante o dia e a noite trabalha no "A Imprensa", jornal impresso de propriedade de seu pai, nunca pode se ausentar da cidade e pede ajuda a investigadores para confirmar os mitos e lendas que tem acesso.
Pela impossibilidade do antropólogo em participar das viagens, ele pode ser apresentado como um aliado que passa informações; ajuda com liberações com a polícia e os governos; e, eventualmente, manda dinheiro ou contrata os investigadores-jogadores.
Luis da Câmara Cascudo é um dos maiores antropólogos brasileiros e autor de dezenas de obras fundamentais para resgatar toda a tradição oral de indígenas, negros e brancos desde a chegada dos Portugueses à Terra de Santa Cruz, em 1500. Na década de 1920, Câmara Cascudo inicia de forma mais aplicada seus estudos sobre o folclore nacional. Como cursa Direito na Universidade de Natal, Rio Grande do Norte, durante o dia e a noite trabalha no "A Imprensa", jornal impresso de propriedade de seu pai, nunca pode se ausentar da cidade e pede ajuda a investigadores para confirmar os mitos e lendas que tem acesso.Pela impossibilidade do antropólogo em participar das viagens, ele pode ser apresentado como um aliado que passa informações; ajuda com liberações com a polícia e os governos; e, eventualmente, manda dinheiro ou contrata os investigadores-jogadores.
O objetivo dessa série é fazer com que, em cada postagem, uma criatura do folclore nacional seja "dissecada" e os Guardiões tenham ferramentas para inserir esses seres como ameaças aos investigadores. A década de 1920 será a referência dos fatos relatados, embora as criaturas e suas estatísticas possam ser utilizadas em qualquer período histórico.
O primeiro da lista, o qual é nosso alvo hoje, trata-se do Ipupiara. Ao nosso ver ele se parece com um primo próximo dos Abissais. A lenda descreve os Ipupiaras como uma espécie de monstro marinho humanóide que habitava o litoral brasileiro no período colonial. Em alguns documentos históricos portugueses sua presença chegou a ser relatada e uma criatura teria sido morta em 1564, na capitania de São Vicente (atual São Paulo). Eram bastante violentos e muito temidos pelos indígenas.
Carta fazendo a descripção das innumeras coisas naturais“Também há outro [demônio], nos rios, aos quais chamam igupiara, isto é, moradores da água, os quais igualmente matam os índios. Perto de nós há um rio, habitado pelos cristãos, o qual antigamente os índios costumavam atravessar em pequenas embarcações, que faziam de um só tronco de árvore, ou de sua casca, antes de para aí se dirigirem os cristãos, a que muitas vezes eram por aqueles submergidos.”
A CRIATURA IPUPIARA
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| Ipupiara na interpretação do artista Mello Witkowski Pinto |
Ipupiaras são criaturas aquáticas que vivem em grandes bacias hidrográficas (no Brasil, Bacia Amazônica e Bacia do São Francisco). Aparecem acima das água com mais frequência durante a época do verão. Quando a temperatura cai sua presença é mais rara, e costumam atocaiar embarcações, de dentro da água, sem sequer surgir na superfície.
Sua aparência é semelhante a homens fortes de grande estatura (1,85m a 2m), porém com olhos muito encovados e dentes afiados de fera. A parte animal é maior que um peixe-boi, comum nas águas brasileiras antes de sua predação. As fêmeas, por sua vez, aparentam ser mulheres, sempre de cabelos compridos e aparência formosa, mas ainda com os olhos excessivamente encovados. Diferente dos Abissais, não mudam de forma e nem conhecem magia. Sequer usam armas, preferindo atacar com as poderosas mãos nuas.
A pele destes seres é parda e grossa. Tão grossa que flechas são incapazes de perfurá-la. O historiador e cronista português Pero Magalhães Gandavo, em 1576, registrou os relatos sobre a morte de um Ipupiara, destacando que apenas facas de grande porte e espadas conseguem causar algum tipo de dano ao monstro.
Além disso, possuem membranas ligando os dedos de seus pés de peixe-boi e pequeníssimas guelras no pescoço, que tratam de suas capacidades subaquáticas aquáticas de capacidade movimento e respiração.
Ipupiaras são fortes e velozes dentro e fora da água. Escolhem como alvo pessoas distraídas na margens dos rios e lagoas, normalmente mulheres, crianças e idosos. Sempre violentos, matam dando um abraço na vítima até desmembrá-la enquanto mordem de forma a arrancar pedaço. Preferem comer os olhos, narizes, genitálias e pontas dos dedos dos pés e mãos de suas vítimas.
Os Ipupiaras têm hábitos solitários e raros são os registros da presença de três ou mais dessas criaturas juntas próximas à superfície das águas. Um ataque em bando é raríssimo. O cheiro forte de peixe pode denunciar a presença das criaturas, justificando sua pequena permanência fora da água.
Os Ipupiaras têm hábitos solitários e raros são os registros da presença de três ou mais dessas criaturas juntas próximas à superfície das águas. Um ataque em bando é raríssimo. O cheiro forte de peixe pode denunciar a presença das criaturas, justificando sua pequena permanência fora da água.
O tempo de vida médio de um Ipupiara é de 120 anos. Sua prole é pequena, gerando em média três novas criaturas durante sua existência. Os machos também copulam com os humanos, mas a violência do ato causa tantos danos que raramente resulta em híbridos.
Sua alimentação é basicamente composta por peixes e outras criaturas aquáticas, mas a carne humana é uma iguaria preferencial e bem valorizada por estes seres.
Os Ipupiaras em sua maioria podem ser encontrados em rios e lagoas com grande volume de água. No Brasil, desde o período colonial, registros indicam a presença dos seres nos estados cortados pelos Rios São Francisco (Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas) e Rio Amazonas (Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará e Mato Grosso). Ipupiaras também foram encontrados no Peru e na Colômbia, e em toda a Bacia Amazônica.
Embora sejam solitários, Ipupiaras procuram o leito profundo dos rios para formar uma espécie de colônia. Esse grupamento não tem liderança estabelecida, mas em caso de descoberta do local, os seres automaticamente assumem uma posição de defesa de seus iguais.
A década de 1920 no Brasil foi um período destacado pela forte industrialização, com grande aumento populacional principalmente nas regiões cortadas pelo rio São Francisco. A ocupação desordenada, poluição industrial e urbana e o uso frequente de agrotóxicos terminou por reduzir de centenas para poucas dezenas a população de Ipupiaras em Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.
A bacia do rio Amazonas, onde há a maior concentração de Ipupiaras, se mantém praticamente incólume diante da pouca concentração habitacional e a extensa cobertura florestal, que possibilita que as terras natais dessas criaturas não só permaneçam incólumes, mas também cresçam aumentando a sua presença na região.
As fêmeas Ipupiara, ou Iaras, apesar de não serem guerreiras também fazem suas vítimas, porém de uma maneira diferenciada. Por não contar com a força física dos machos de sua espécie, mas um belíssimo corpo feminino de proporções sobrenaturais (o que incluem belas pernas e não a metade peixe-boi de sua contraparte masculina) sua grande vantagem é causar grande atração aos humanos, o que cogita-se advir de uma biologia aliada a feromônios, já que não são praticantes de magia.
Por outro lado, a face com os temíveis olhos encovados revelam nas Iaras a sua característica sobrenatural, e por isso normalmente agem de forma elusiva evitando olhares diretos.
Corriqueiramente elas esperam por seus alvos sentadas de costas em troncos na beira dos rios, ou parcialmente submersas, de modo a destacar as nuances de sua formosura e causar curiosidade e/ou atração àqueles que a vislumbram. Quando o homem se aproxima, com agilidade e firmeza ele é puxado para dentro d'água e levado até o fundo, onde morre afogado ou é atacado até a morte por peixes e repteis carnívoros que a Iara mantém próximo a si.
Os portugueses, como forma de assimilar os ataques das fêmeas Ipupiara com a mitologia européia, passaram a caracterizá-las como sereias - brancas, com longos cabelos loiros ou castanhos e com rabos de peixe, bem distante da realidade conhecida pelos nativos brasileiros.
Sua alimentação é basicamente composta por peixes e outras criaturas aquáticas, mas a carne humana é uma iguaria preferencial e bem valorizada por estes seres.
TERRAS NATAIS DOS IPUPIARA
Os Ipupiaras em sua maioria podem ser encontrados em rios e lagoas com grande volume de água. No Brasil, desde o período colonial, registros indicam a presença dos seres nos estados cortados pelos Rios São Francisco (Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas) e Rio Amazonas (Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará e Mato Grosso). Ipupiaras também foram encontrados no Peru e na Colômbia, e em toda a Bacia Amazônica.
Embora sejam solitários, Ipupiaras procuram o leito profundo dos rios para formar uma espécie de colônia. Esse grupamento não tem liderança estabelecida, mas em caso de descoberta do local, os seres automaticamente assumem uma posição de defesa de seus iguais.
Tratado da Terra do Brasil - Relato de Viajante: Capítulo IX - DO MONSTRO MARINHO QUE SE MATOU NA CAPITANIA DE SÃO VICENTE, ANO 1564
(...)
O retrato deste monstro é este que no fim do presente capítulo se mostra, tirado pelo natural. Era quinze palmos de comprido e semeado de cabelos pelo corpo, e no focinho tinha umas sedas muito grandes como bigodes.Os índios da terra lhe chamam em sua língua ipupiara, que quer dizer demônio da água. Alguns como este se viram já nestas partes, mas acham-se raramente. E assim também deve de haver outros muitos monstros de diversos pareceres, que no abismo desse largo e espantoso mar se escondem, de não menos estranheza e admiração; e tudo se pode crer, por difícil que pareça: porque os segredos da natureza não foram revelados todos ao homem, para que com razão possa negar, e ter por impossível as cousas que não viu nem de que nunca teve notícia.
IPUPIARAS EM 1920
A década de 1920 no Brasil foi um período destacado pela forte industrialização, com grande aumento populacional principalmente nas regiões cortadas pelo rio São Francisco. A ocupação desordenada, poluição industrial e urbana e o uso frequente de agrotóxicos terminou por reduzir de centenas para poucas dezenas a população de Ipupiaras em Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.
A bacia do rio Amazonas, onde há a maior concentração de Ipupiaras, se mantém praticamente incólume diante da pouca concentração habitacional e a extensa cobertura florestal, que possibilita que as terras natais dessas criaturas não só permaneçam incólumes, mas também cresçam aumentando a sua presença na região.
A LENDA DA IARA, O IPUPIARA FÊMEA
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| Iara, desenhada por Carolina Saidenberg |
Por outro lado, a face com os temíveis olhos encovados revelam nas Iaras a sua característica sobrenatural, e por isso normalmente agem de forma elusiva evitando olhares diretos.
Corriqueiramente elas esperam por seus alvos sentadas de costas em troncos na beira dos rios, ou parcialmente submersas, de modo a destacar as nuances de sua formosura e causar curiosidade e/ou atração àqueles que a vislumbram. Quando o homem se aproxima, com agilidade e firmeza ele é puxado para dentro d'água e levado até o fundo, onde morre afogado ou é atacado até a morte por peixes e repteis carnívoros que a Iara mantém próximo a si.
Os portugueses, como forma de assimilar os ataques das fêmeas Ipupiara com a mitologia européia, passaram a caracterizá-las como sereias - brancas, com longos cabelos loiros ou castanhos e com rabos de peixe, bem distante da realidade conhecida pelos nativos brasileiros.
O HÍBRIDO HUMANO-IPUPIARA: O BOTO COR-DE-ROSA
A lenda do Boto, originada na região do Rio Amazonas, nada mais é do que o relato romantizado da presença de híbridos ipupiara nas comunidades ribeirinhas: um rapaz sedutor, vestido de branco e com um chapéu que cobre o rosto, atiça moças novas e virgens durante os festejos juninos. A jovem, encantada com os galanteios e feições do moço, segue com ele para as margens do rio, onde desaparece ou faz sexo (ficando grávida pouco tempo depois).
As vestes brancas e o grande chapéu relatado no mito é uma das formas utilizadas pelos híbridos para esconder as deformidades ocasionadas pela mistura genética entre humano e ipipuara.
Vale notar que os híbridos geralmente são machos, porém assumem também características de ipupiaras fêmeas, pois são capazes de causar grave atração e desejo nas contrapartes humanas, o que sugere mais uma vez a capacidade biológica voltada aos feromônios.
Os híbridos, assim como seus ancestrais, sente grande prazer ao consumir carne humana, mas não compartilham o mesmo instinto assassino da raça pura, podendo até mesmo, dependendo da educação que tivesse recebido, matar apenas ao chegar em sua fase adulta.
Quando adultos, os híbridos escolhem ficar a maior parte do tempo na água dos rios, seguindo o instinto genético de seus ancestrais. Suas feições ficam mais assemelhadas a dos ipupiaras, mas com aspecto rosado, próximo ao tom de pele humano. Os olhos encovados estão presentes e em alguns dos híbridos, há a falta de narizes e orelhas (o que remete a semelhança com os botos).
As vestes brancas e o grande chapéu relatado no mito é uma das formas utilizadas pelos híbridos para esconder as deformidades ocasionadas pela mistura genética entre humano e ipipuara.
Vale notar que os híbridos geralmente são machos, porém assumem também características de ipupiaras fêmeas, pois são capazes de causar grave atração e desejo nas contrapartes humanas, o que sugere mais uma vez a capacidade biológica voltada aos feromônios.
Os híbridos, assim como seus ancestrais, sente grande prazer ao consumir carne humana, mas não compartilham o mesmo instinto assassino da raça pura, podendo até mesmo, dependendo da educação que tivesse recebido, matar apenas ao chegar em sua fase adulta.
Quando adultos, os híbridos escolhem ficar a maior parte do tempo na água dos rios, seguindo o instinto genético de seus ancestrais. Suas feições ficam mais assemelhadas a dos ipupiaras, mas com aspecto rosado, próximo ao tom de pele humano. Os olhos encovados estão presentes e em alguns dos híbridos, há a falta de narizes e orelhas (o que remete a semelhança com os botos).
Os relatos coletados por Câmara Cascudo até o momento, indicam uma atividade maior dos híbridos durante as festividades de meio de ano, em junho e julho, nas comemorações dos santos populares da religião católica (Santo Antônio, São João e São Pedro). A música, o colorido da decoração e a fartura na bebida deixa os moradores ribeirinhos mais relaxados e facilita a ação do Boto, que normalmente escolhe mulheres como alvo de seus ataques.
ESTATÍSTICAS E SISTEMA
Apresentamos agora as estatísticas e sistemas de regras para uso das criaturas em Rastro de Cthulhu e Chamado de Cthulhu 7a edição, esperamos que gostem e possam narrar seus mistérios em terras tupiniquins.
RASTRO DE CTHULHU (GUMSHOE)
- IPUPIARA
Habilidades: Atletismo 5/11 na água, Briga 11/17 na água, Vitalidade 9
Limiar de Acerto: 3 (4 na água)
Modificador de Prontidão: +1 (+3 debaixo d'água)
Modificador de Furtividade: +2 enquanto estiver debaixo d'água
Ataques: +1 (golpes fortes), +2 (arrastar para a água), +3 (mordida)
Armadura: -1 contra armas corpo a corpo e armas de fogo (pele), -2 contra todo o resto
Perda de Estabilidade: +1 se vir sua silhueta inumana rondando sob as águas, +3 se estiver na água junto com ele.
Ipupiaras possuem Força Inumana e enquanto estiver debaixo d'água possuem eco-localização, além de respirar água e ar.
Investigação
Coletar Evidência: As águas do local estão estranhamente calmas e a vida animal está arredia. Apesar da visível grande quantidade de peixes na região, os animais que deveriam estar nos arredores ficam afastados da água e preferem fugir a interagir naquele local.
Ciência Forense: A vítima está nitidamente com feridas de grandes mandíbulas semelhantes a mamíferos aquáticos de grande porte, porém partes específicas do corpo da vítima foram mutiladas, com essas mesmas garras, e possivelmente ingeridas pelo agressor. Faltam na vítima as genitálias, as pontas e falanges inteiras dos dedos das mãos e pés, no rosto foram removidos os olhos e o nariz da mesma forma brutal que o restante.
Sentir Perigo: Você vislumbra relances esporádicos de uma grande silhueta se mover estranhamente rápido ao redor e por baixo da embarcação enquanto acompanha o seu trajeto há algum tempo. Enquanto o rio alarga e se aprofunda ela pode ser vista com maior frequência.
Biologia: A região às margens da água, os rochedos próximos e grandes troncos de árvore apresentam elementos da presenças de um grande mamífero aquático (rastros, restos de peixe, etc), como um peixe-boi ou leão marinho. Porém, estranhamente em meio àquele ambiente podem ser vistas marcas de grandes e uso rudimentar de ferramentas com gravetos e pedras.
- BOTO
Limiar de Acerto: 4
Modificador de Prontidão: +0 (+1 debaixo d'água)
Modificador de Furtividade: +2 debaixo d'água
Ataques: +1 (golpes fortes), +1 (mordida)
Armadura: 0
Perda de Estabilidade: +1 se fizer amor com ele ou for atacado pela brutalidade ipupiara do híbrido.
Botos respiram água e ar.
Investigação
Coletar Evidência: Pegadas molhadas indo e vindo na direção do rio indicam que alguém molhou os sapatos recentemente quando andou pelas margens ou entrou na água. O formato do sapato indica um traje social que não se adéqua com atividades próximas d'água. Outras marcas muito próximas indicam que alguém de salto alto o acompanhava, provavelmente uma mulher.
Ciência Forense: A vítima foi violentada antes de ter sua genitália removida. Parece que ele foi dada aos peixes, mas causa espanto que somente o órgão genital foi devorado, que espécie de animal não atacaria as partes mais carnudas dessa mulher?
Sentir Perigo: A figura alinhada com o chapéu exageradamente grande nunca deixa o rosto a mostra, mesmo quando olha na sua direção há sombras ocultando sua face. Mesmo sem ver o brilho nos seus olhos você sente que ele direciona o olhar com segundas intenções para a mais bela dama da festa.
Trato Policial: Eu não sei onde aquele malandro mora, e nunca consegui ver seu rosto direito, mas ele sempre está por aqui, principalmente nas festas, geralmente acompanhado. Ele vai e vem, e muita menina bonita já foi na onda dele, algumas até fugiram ou emprenharam. Ninguém nunca deu queixa dele, nem conseguiu ir atrás dele na mata.
- IARA
Limiar de Acerto: 4
Modificador de Prontidão: +1 (+3 debaixo d'água)
Modificador de Furtividade: +2 nas margens de um aquífero (+3 debaixo d'água)
Ataques: +2 (arrastar para baixo d'água), +2 (comandando criaturas aquáticas vorazes - piranhas, jacarés, etc.)
Armadura: 0 contra armas corpo a corpo e armas de fogo (pele), -1 contra todo o resto
Perda de Estabilidade: +0 se avistar a silhueta sobrenaturalmente bela da criatura*, +2 se olhar fixamente nos olhos de outro mundo e encovados da criatura.
Ao avistar a silhueta encantadora da Iara exija um teste de estabilidade dos investigadores, caso falhem terão um surto lascivo de desejo momentâneo por aquela mulher nua nas águas ao invés de perder os pontos da habilidade, com isso farão o possível para tê-la em seus braços. Iaras respiram água e ar.
Investigação
Coletar Evidência: As pegadas na margem mostram que alguém correu direto para a água. Você encontra espalhados na margem no trajeto das pegadas alguns botões de camisa e a fivela de um cinto que foi partido com força para ser removido.
Ciência Forense: Algumas marcas de pressão no pulso e nos tornozelos, como se fosse segurado por alguém, ou alguma coisa, forte. A causa da morte foi afogamento e não as mutilações nos olhos e no nariz, eles foram removidos após o afogamento. Da mesma forma os dedos da vítima.
Sentir Perigo: Aquela pode ser a mulher mais bela que você já viu na vida, e acima de tudo ela está se banhando nua calmamente nas águas límpidas do rio. Mas espere, as águas não parecem estar tão calmas assim, por acaso aquilo ao lado dela na água não é um jacaré?
Trato Policial: O que quer que tenha feito isso não queria esconder a identidade da vítima. Apenas remover os dedos não é suficiente, é necessário também remover a arcada dentária. E essa pessoa usava o fio dental todos os dias, os dentes estão todos bem cuidados e inteiros.
CHAMADO DE CTHULHU 7ª EDIÇÃO
- IPUPIARA
FOR 90 CON 55 TAM 90 DES 70 INT 50 POD 60
PV 15
Habilidade Especial: Respirar embaixo d'água.
Bônus de Dano Médio: 1d6
Corpo Médio: 2
Movimentação: 9/11 na água
Ataques: O ipupiara ataca com sua força descomunal e suas garras afiadas de fera, além de sempre tentar se favorecer do ambiente aquático arrastando as vítimas para baixo d'água.
Ataque por rodada: 1 - Porém, se o Ipupiara tiver sucesso ao agarrar o oponente e levá-lo para baixo d'água ele poderá realizar um segundo ataque com sua mordida (Mordida de 1d6 de dano)
Dano: 1d8+1d6/1d6
Luta 55% (Difícil 27%/Extremo 11%)Esquiva 25% (Difícil 12%/Extremo 5%) - Na água Esquiva 30% (Difícil 15%/Extremo 6%)
Armadura: 1 (pele grossa)
Perda de Sanidade: 0/1d6 pontos de sanidade ao ver um Ipupiara. (Indígenas e crédulos do folclore local perdem automaticamente 3 pontos de sanidade ao ver um Ipupiara)
- BOTO
FOR 65 CON 60 TAM 55 DES 60 INT 65 POD 60
PV 12
Habilidade Especial: Respirar embaixo d'água.
Habilidades: Seduzir 50%, Disfarce 50%, Ouvir 50%, Furtividade 35%, Encontrar Escondidos 35%
Bônus de Dano Médio: nenhum
Corpo Médio: 0
Movimentação: 6/9 na água
Ataques: O boto ataca com a força sobre-humana de sua linhagem, mas pode se utilizar de armas e ferramentas simples, geralmente uma faca ou outra arma simples e ágil. Além disso, ele possui resquícios das garras de fera dos ipupiara, porém com menor letalidade.
Ataque por rodada: 1
Dano: Por arma+bônus de dano médio ou 1d6
Luta 45% (Difícil 22%/Extremo 9%)Esquiva 30% (Difícil 15%/Extremo 6%)
Armadura: Nenhuma
Perda de Sanidade: 0/1d4 pontos de sanidade ao identificar o Boto como uma criatura. (Indígenas e crédulos do folclore local perdem automaticamente 3 pontos de sanidade ao identificar o Boto)
- IARA
FOR 60 CON 60 TAM 60 DES 70 INT 65 POD 70
PV 12
Habilidade Especial: Respirar embaixo d'água. Beleza hipnotizante. Comandar criaturas aquáticas.
Habilidades: Seduzir 75%, Disfarce 60%, Ouvir 60%, Encontrar Escondidos 45%
Bônus de Dano Médio: nenhum
Corpo Médio: 0 (1 na água)
Movimentação: 6/9 na água
Ataques: A Iara não é uma criatura combativa por si só, sua maior estratégia é encantar transeuntes e fazer com os mesmos a busquem dentro d'água onde irá arrastá-los para o fundo, o que consegue com facilidade devido à sua natureza ipupiara. Além disso, ela comanda animais aquáticos vorazes (piranhas, jacarés, etc) para combater em seu lugar.
Ataque por rodada: 1
Dano: 1d4
Luta 40% (Difícil 20%/Extremo 8%)Esquiva 34% (Difícil 17%/Extremo 6%)
Armadura: Nenhuma
Perda de Sanidade: 0/1d6 pontos de sanidade ao olhar a iara nos olhos. (Indígenas e crédulos do folclore local perdem automaticamente 3 pontos de sanidade ao olhar a iara nos olhos)
- Beleza Hipnotizante: Quem vislumbrar a beleza sobrenatural da Iara deve fazer um teste resistido de POD, se falhar será tomado pela luxúria e desejo e fará o possível para se aproximar o mais rápido da Iara com intuito a seduzi-la. Se para isso for necessário praticar ações auto-destrutivas o jogador porá realizar uma rolagem de INT para evitá-la.
- Comandar criaturas aquáticas: Como um de seus ataques a Iara pode escravizar a mente de uma criatura aquática próxima e fazer com que a mesma imediatamente realize um ataque ou utilize uma de suas habilidades. Isso não afeta a ação própria da criatura, que normalmente está alinhada com a Iara.
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Chamado de Cthulhu 7a edição é publicado no Brasil pela Editora New Order, sob licença da Chaosium Inc.
Publicado originalmente em parceria com Arthur Pinto de Andrade no blog Donjon Master




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